Formação Digital fortalece protagonismo feminino no serviço público

25 de agosto de 2025 - 13:55

Texto: Thamires Assunção. Fotos: Dennis Moraes

A Escola de Gestão Pública do Estado do Ceará (EGPCE) apresentou, na última quinta-feira (21), na Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), o Projeto de Capacitação Digital para Servidoras Públicas, durante a missão 2025 do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A iniciativa integra o programa Ceará Mais Digital e busca empoderar e qualificar as servidoras públicas cearenses, promovendo equidade de gênero, inclusão e desenvolvimento de competências digitais. O orçamento previsto é de US$ 80 mil, fruto do financiamento firmado entre o Governo do Estado e o BID.

Os recursos para execução do projeto também virão da articulação com ações já em andamento em diferentes órgãos estaduais. Nesse sentido, o esforço da EGPCE será articular e otimizar a aplicação desses investimentos, garantindo que o público-alvo seja efetivamente beneficiado e que as iniciativas em curso conversem entre si para ampliar o alcance da transformação digital.

Diagnóstico e Desafios

Uma enquete realizada entre abril e maio de 2025, com cerca de 400 servidoras, revelou que 98,3% utilizam tecnologia diariamente no trabalho, mas 72,2% nunca participaram de formações formais em inclusão digital. Essa lacuna compromete a eficiência dos serviços e reforça desigualdades de gênero na transformação digital do Estado.

Diante desse cenário, o projeto prevê trilhas de aprendizagem descentralizadas, infraestrutura tecnológica adaptada e criação de uma rede de multiplicadoras digitais, servidoras que irão apoiar colegas em processo de aprendizagem.

A Visão da EGPCE

O diretor da Escola, Saulo Braga, destacou a importância de ampliar o alcance da iniciativa para além da capital: “Apesar do recurso ser utilizado para a formação de colaboradores do Governo do Estado, nossa intenção é chegar também aos municípios, por meio das caravanas Ceará Um Só e de parcerias com universidades e órgãos estaduais. Queremos formar multiplicadores para que a transformação digital alcance gestores municipais e a sociedade civil”, ressaltou.

Já a coordenadora de Educação em Gestão Pública, Paita Façanha, enfatizou a construção participativa da proposta: “Quando fomos provocados a pensar em um curso, logo entendemos que era preciso algo maior: um projeto que promovesse a transformação. Antes mesmo da elaboração, fizemos uma enquete e identificamos que muitas servidoras já utilizavam tecnologia, mas sem desenvolvimento adequado. Esse diagnóstico foi essencial para consolidar a proposta”, explicou.

Segundo ela, a adesão foi significativa: “Mais de 400 servidoras participaram da consulta, especialmente das secretarias da Saúde, da Fazenda e do Planejamento. A ideia agora é interiorizar essa formação, garantindo que as servidoras em diferentes territórios também sejam beneficiadas”.

Resultados Esperados

Entre os principais resultados projetados estão:

Infraestrutura tecnológica descentralizada para formações;
Capacitação em competências digitais, desde noções básicas até inteligência artificial aplicada ao serviço público;
Formação de redes de multiplicadoras digitais femininas;
Aumento da eficiência dos serviços públicos, com mais agilidade e inovação na entrega à sociedade.

A ação é uma estratégia de transformação digital e inclusão, que posiciona as servidoras públicas como protagonistas da inovação no setor público.